História
Surgidas a partir de meados do século XIX, no Rio de Janeiro, as Sociedades Carnavalescas, também chamadas de Clubes Carnavalescos, Grandes Sociedades, ou simplesmente Sociedades, foram, durante décadas, o mais importante evento do carnaval carioca.
Os primeiros movimentos em direção ao surgimento das Sociedades Carnavalescas se deram no Rio de Janeiro, no final dos anos 1830. Foi por essa época que as elites cariocas começaram a copiar o carnaval que se fazia em Paris, procurando se afastar do conjunto de brincadeiras conhecido com Entrudo.
O modelo francês fez com que a moda dos Bailes de Máscaras, Bailes à Fantasia ou Bals Masqués fosse rapidamente copiada pela Corte. Aos poucos o ato de se deslocar das casas ou das sedes das sociedades - nome dado a grupos que se reuniam para encontros e tertúlias - até os salões de bailes foi se tornando um evento por si só. Desfilar pela cidade em carruagens abertas, exibindo à população as ricas fantasias importadas de Paris tornar-se-ia um dos grandes prazeres da burguesia durante os dias de carnaval.
O povo do Rio de Janeiro assistia a passagem desses grupos fantasiados com grande interesse, saudando sua passagem do modo a que estava acostumado, ou seja, lançando sobre eles seus limões de cheiro. Para evitar esse confronto, os passeios ficavam cada vez mais organizados em verdadeiros séquitos de carruagens.
Em 1855, um grupo de foliões da elite, resolve, organizar um passeio que não seria um mero trajeto entre as casas e os bailes, mas sim um evento que se bastasse a si mesmo, aos moldes do que se fazia em Paris, Roma ou Nice. A grande divulgação do acontecimento marcou época e produziu um fato fundador do carnaval brasileiro; o famoso desfile do Congresso das Sumidades Carnavalescas, considerada a primeira Sociedade Carnavalesca brasileira.
A partir daí muitos outras sociedades carnavalescas se organizaram e, em menos de uma década, as ruas do centro do Rio de Janeiro já viam desfilas dezenas desses grupos. Rapidamente a moda se espalharia para outras cidades como Recife, Desterro (atual Florianópolis), Porto Alegre, São Paulo, e Salvador.
Durante toda a segunda metade do século XIX, as Sociedades foram a grande atração do carnaval brasileiro. As sociedades carnavalescas permaneceram até a década de 50, porém na década de 30 já se aparesentavam em declínio.
Algumas sociedades que ficaram famosas
No Rio de Janeiro
Congresso das Sumidades Carnavalescas
- Zuavos Carnavalescos
- Euterpe Comercial
- Tenentes do Diabo (fundado em 1855, só desfilou a partir de 1867)
- Fenianos (fundado em 1869)
- Democráticos
- Pierrôs das Cavernas
- Estudantes de Heidelberg
- Acadêmicos de Joanisberg
- Clube X
- União Veneziana
Progressistas da Cidade Nova
Em Recife
- Asmodeu
- Garibaldina
- Comuna Carnavalesca
Em Porto Alegre
Em Salvador
- Cruz Vermelha
- Fantoches da Euterpe
Em São Paulo
- Tenentes de Plutão
- Girondinos
-
Em Florianópolis
- Diabo a Quatro
- Bons Arcanjos
Em outros países
Também são chamadas "sociedades carnavalescas" entidades de outros países que se assemelham às antigas sociedades brasileiras, porém possuem origens bem distintas, como o Cento Carnevale D'Italia .
Bibliografia recomendada
- ARAÚJO, Rita de Cássia Barbosa de. Festas: máscaras do tempo. entrudo, mascarada e frevo no carnaval do Recife. Recife: Fundação de Cultura Cidade do Recife, 1996.
- DAMASCENO, Athos. O carnaval porto-alegrense no século XIX. Porto Alegre: Livraria do Globo, 1970.
- FERREIRA, Felipe. O livro de ouro do carnaval brasileiro. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005.
- MORAES, Eneida de. História do carnaval carioca. Rio de Janeiro: Record, 1987.
- PEREIRA, Leonardo Affonso de Miranda. O Carnaval das letras: literatura e folia no Rio de Janeiro do século XIX. Campinas: Editora Unicamp, 2004.
- Nélson da Nóbrega Fernandes. Escolas de Samba: Sujeitos Celebrantes e Objetos Celebrados. Rio de Janeiro: Coleção Memória Carioca, vol. 3, 2001.